Brasília – A deputada Rosana Valle (PL-SP) defendeu a criação de protocolos nacionais para ampliar a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da endometriose pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A parlamentar, que solicitou a audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, destacou a importância de capacitar profissionais, promover campanhas de conscientização e estabelecer uma linha de cuidado capaz de garantir atendimento adequado às mulheres em todo o país.
Médicos, representantes de pacientes e parlamentares defenderam, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, o fortalecimento de uma política nacional de assistência à endometriose, com protocolos que permitam ampliar e padronizar o diagnóstico e o tratamento da doença pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O debate foi realizado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher a pedido da deputada Rosana Valle (PL-SP) e reuniu especialistas e representantes de pacientes para discutir dificuldades enfrentadas pelas mulheres, como demora no diagnóstico, falta de continuidade no atendimento e necessidade de maior capacitação dos profissionais de saúde.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. A condição pode provocar dores intensas, afetar diferentes aspectos da vida das pacientes e, em alguns casos, causar infertilidade.
Rosana Valle defende protocolo nacional para endometriose
Durante a audiência, Rosana Valle (PL-SP) defendeu a criação de protocolos nacionais para prevenção e tratamento da endometriose, como previsto no Projeto de Lei 3246/2021, que tramita na Câmara dos Deputados.
A parlamentar foi relatora da proposta em 2021, durante a análise pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
“É um protocolo que abrange campanhas nas escolas e capacitação dos médicos, difundindo assuntos discutidos nas universidades de medicina para que a gente tenha melhor acolhimento e encaminhamento a um tratamento digno pelo SUS ”, afirmou Rosana Valle (PL-SP).
O projeto prevê avaliações médicas periódicas, exames clínicos e laboratoriais, campanhas de orientação, treinamento continuado dos profissionais de saúde e ações do SUS voltadas à prevenção e ao tratamento da doença.
A adoção de uma política estruturada pode contribuir para fortalecer o diagnóstico precoce da endometriose e estabelecer uma linha de atendimento mais uniforme entre as diferentes regiões brasileiras.
Especialistas defendem política nacional
Participantes da audiência defenderam a aprovação do Projeto de Lei 3246/2021, de autoria do ex-deputado Roberto de Lucena (SP), que cria o Programa de Prevenção e Tratamento da Doença de Endometriose.
O médico Guilherme Karam, especialista em ginecologia e obstetrícia, avaliou que uma política nacional permitiria organizar melhor o atendimento e acelerar o tratamento em diferentes regiões.
Segundo o especialista, a criação de um programa nacional direcionado ao SUS pode estabelecer uma linha de cuidado para mulheres com endometriose, associada a financiamento, protocolos técnicos e capacitação de novos centros de atendimento.
Karam também chamou atenção para a subnotificação da doença e estimou que mais de 7 milhões de mulheres em idade reprodutiva sofram com endometriose no Brasil.
Diagnóstico tardio afeta a qualidade de vida
Outro ponto central do debate foi a demora enfrentada por muitas pacientes até receberem o diagnóstico correto.
Representantes de mulheres com endometriose relataram experiências marcadas por anos de dores e dificuldades para encontrar profissionais preparados para identificar a doença.
A diretora da Associação Endomulheres, Pollyana Queiroz Pereira do Nascimento, defendeu a criação de um protocolo unificado de atendimento à endometriose. Segundo ela, a padronização permitiria que uma paciente pudesse mudar de estado e continuar o tratamento sem precisar reiniciar todo o processo.
A medida também poderia reduzir custos decorrentes da repetição de consultas, avaliações e procedimentos.
Pollyana relatou que seu próprio diagnóstico ocorreu somente depois de cinco cirurgias, evidenciando os obstáculos que algumas pacientes enfrentam para identificar corretamente a doença.
A jornalista Caroline Salazar, criadora do blog A Endometriose e Eu, também relatou ter convivido durante anos com dores severas e incapacitantes antes de receber o diagnóstico.
Os relatos reforçaram a necessidade de investir na capacitação dos profissionais de saúde, para melhorar o reconhecimento dos sintomas e encaminhar as pacientes mais rapidamente para atendimento especializado.
Campanhas e capacitação podem ajudar no diagnóstico precoce
Entre as medidas discutidas está a realização de campanhas de conscientização sobre endometriose, inclusive em ambientes escolares.
A estratégia busca ampliar o conhecimento sobre sintomas que muitas vezes são normalizados ou confundidos com desconfortos comuns do período menstrual.
A capacitação permanente dos profissionais também é apontada como instrumento importante para reduzir o tempo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a confirmação do diagnóstico.
Com protocolos nacionais, a expectativa dos participantes é criar parâmetros mais uniformes para orientar o atendimento desde a atenção inicial até o tratamento especializado.
Propostas sobre endometriose estão em discussão no Congresso
Além do PL 3246/2021, outras propostas relacionadas à prevenção, conscientização e tratamento da endometriose estão em tramitação no Congresso Nacional.
Entre elas estão projetos destinados à criação de políticas nacionais de atendimento integral, ações educativas sobre endometriose e saúde menstrual, inclusão profissional e regras previdenciárias específicas para casos graves da doença.
O conjunto das iniciativas demonstra que o tema vem ganhando espaço nas discussões legislativas relacionadas à saúde da mulher e ao atendimento oferecido pelo SUS .
A audiência solicitada por Rosana Valle (PL-SP) ampliou esse debate ao reunir profissionais de saúde e pacientes para discutir medidas que possam resultar em diagnóstico mais rápido, continuidade do tratamento e atendimento adequado em diferentes regiões do país.
Fortalecimento do atendimento pelo SUS
Para Rosana Valle (PL-SP), a construção de protocolos nacionais deve envolver não apenas o tratamento, mas também informação, prevenção e formação dos profissionais responsáveis pelo atendimento.
A proposta defendida durante a audiência busca estruturar uma abordagem capaz de acompanhar as pacientes ao longo das diferentes etapas, desde a identificação dos sintomas até o encaminhamento para tratamento especializado.
A discussão na Câmara reforça, portanto, a importância de políticas voltadas ao atendimento integral às mulheres com endometriose, com foco no diagnóstico precoce, na capacitação médica e na ampliação do acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde.

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