Brasília – A deputada federal Bia Kicis (PL-DF), recém-eleita senadora, defendeu maior rigor na formação dos médicos e investimentos na estrutura dos serviços de saúde durante sessão especial do Senado em homenagem ao Dia do Médico. Para a parlamentar, a ampliação do número de profissionais deve ser acompanhada pela qualidade do ensino e por condições adequadas de atendimento à população.
Realizada nesta quarta-feira, 14, a solenidade antecipou a celebração do Dia do Médico, comemorado em 18 de outubro, e promoveu um debate sobre formação profissional, condições de trabalho e desigualdade na distribuição de médicos pelo país.
Qualidade da formação médica
Durante a sessão, Bia Kicis (PL-DF) destacou que o crescimento do número de profissionais precisa ocorrer de forma responsável, com atenção à preparação oferecida pelas instituições de ensino.
“Precisamos de médicos em quantidade suficiente, sim, mas sobretudo de médicos bem-preparados e de serviços capazes de oferecer atendimento digno à população”, afirmou.
A deputada federal e senadora eleita defendeu que a expansão do ensino médico seja acompanhada por investimentos em estrutura, professores qualificados, hospitais de ensino e oportunidades adequadas de formação prática.
A preocupação é assegurar que os novos profissionais tenham condições de oferecer um atendimento seguro, eficiente e humanizado aos pacientes.

Homenagem aos profissionais da medicina
A sessão especial foi proposta pelo senador Dr. Hiran (PP-RR), por meio do RQS 897/2025.
Celebrado desde 1961, quando a profissão foi regulamentada no Brasil, o Dia do Médico é lembrado em 18 de outubro em referência a São Lucas, considerado o padroeiro da medicina.
A solenidade reconheceu o trabalho dos profissionais que atuam na assistência à saúde e destacou desafios como jornadas exaustivas, remuneração inadequada e falta de estrutura em unidades de atendimento.
Médicos e acesso à saúde
Dados do estudo Demografia Médica no Brasil 2025, apresentados durante a sessão, indicam que o país possui aproximadamente 635,7 mil médicos em atividade, uma média de 2,98 profissionais para cada mil habitantes.
Apesar do crescimento do número de médicos, a distribuição dos profissionais permanece desigual. Municípios do interior e regiões mais afastadas dos grandes centros ainda enfrentam dificuldades para garantir atendimento especializado.
A sessão também debateu propostas relacionadas ao piso salarial dos médicos, à criação de exames para recém-formados e ao aumento das bolsas destinadas à residência médica.
Pela primeira vez, as mulheres representam a maioria dos profissionais da medicina no Brasil, correspondendo a 50,9% do total.
Valorização e proteção dos pacientes
Representantes das entidades médicas defenderam que a valorização dos profissionais de saúde esteja associada à qualidade da formação e à proteção dos pacientes.
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, afirmou que assegurar condições dignas de trabalho e exigir uma preparação adequada são compromissos públicos com a vida.
Os participantes também ressaltaram que o exercício da medicina exige conhecimento científico, responsabilidade, sensibilidade e dedicação permanente ao cuidado com o próximo.
Condições dignas de trabalho
A precarização das relações de trabalho e a redução da remuneração dos profissionais também foram abordadas durante a homenagem.
Representantes da categoria alertaram que a expansão dos serviços de saúde não pode ocorrer às custas da qualidade do atendimento ou da desvalorização dos médicos.
O debate reforçou a necessidade de investir na estrutura da saúde pública, na formação profissional e em políticas que garantam atendimento digno em todas as regiões do país.
A sessão contou ainda com profissionais da medicina eleitos deputados federais para a legislatura que começa em 2027 e representantes de médicos residentes, estudantes de medicina, entidades de especialidades médicas e instituições de ensino.
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