Brasília – Durante audiência da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, a deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP) protagonizou um dos momentos mais incisivos do encontro ao dirigir duras críticas à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A parlamentar cobrou atenção real às populações amazônicas e denunciou a distância entre o discurso ambientalista do governo e as necessidades das comunidades tradicionais.
“Ministra Marina, a senhora sabe o que é viver na Amazônia. Mas hoje parece que se afastou da nossa realidade. O seu ministério se tornou inacessível para nós”, declarou Waiãpi (PL-AP).
No primeiro momento, a deputada destacou que as populações do Norte se sentem abandonadas pelas decisões ambientais, que, segundo ela, têm impedido obras de infraestrutura, travado projetos econômicos e comprometido o direito à subsistência de pequenos produtores.
No segundo momento, Silvia Waiãpi (PL-AP) aumentou o tom emocional, afirmando que não é ouvida pelo ministério, mesmo como parlamentar e indígena eleita pela região amazônica. A deputada acusou o governo de priorizar ONGs internacionais em detrimento de lideranças locais e concluiu dizendo que o atual modelo ambientalista “fala em nome dos povos da floresta, mas não os escuta”.
deputada federal Silvia Waiãpi (PL-AP) representa um segmento político que defende o desenvolvimento sustentável com protagonismo regional, sem tutela de Brasília ou de instituições estrangeiras. Ela cobrou a reformulação das políticas ambientais para que contemplem diálogo direto com comunidades tradicionais, indígenas produtores, ribeirinhos e agricultores familiares, que segundo ela estão sendo prejudicados por restrições ambientais excessivas e burocracia.
“Nós não somos os inimigos da natureza. Somos parte dela. Mas precisamos sobreviver nela também”, finalizou.
E, dirigindo-se à ministra, a deputada amapaense complementou:
“Muitos dos senhores, do Sul e do Sudeste, preparam leis, aqui, que condenam a nós – povos do Norte – à miséria. Vi crianças sendo levadas, sendo prostituídas, vítimas de tráfico humano, por essa política ambiental que quer salvar o mundo, mas condena mulheres e crianças a serem abusadas e estupradas debaixo da árvore que a senhora defende. Eu não vou pedir que a senhora nos liberte, porque a senhora já nos condenou!”